Novo crédito consignado privado pode intensificar a concorrência, mas impacta mercado de crédito

O programa Crédito do Trabalhado promete acirrar a disputa entre bancos e fintechs pelo mercado de crédito consignado privado. Com 47 milhões de trabalhadores elegíveis, a expectativa é de que fintechs ampliem sua fatia nesse segmento, podendo movimentar até R$ 24 bilhões nos próximos anos, segundo a Abfintechs.

Atualmente, a maior parte do consignado privado está concentrada no Santander e Itaú, que detêm juntos mais de 60% do mercado. No entanto, bancos como Bradesco e Banco do Brasil, que têm pouca participação na modalidade, devem buscar expansão agressiva. Além disso, cooperativas como Sicredi e Sicoob também pretendem oferecer o novo produto, ampliando a concorrência.

Apesar do otimismo do mercado, analistas apontam que o novo consignado pode não ser a “bala de prata” para a expansão do crédito. O modelo anterior permaneceu estável em cerca de R$ 40 bilhões ao longo dos anos, e a inadimplência da modalidade segue elevada, atingindo 8%. Além disso, a facilidade de contratação e portabilidade podem aumentar a rotatividade dos clientes, tornando o crédito menos previsível para os bancos.

Enquanto a Febraban estima que o estoque do consignado privado possa triplicar para R$ 120 bilhões, analistas alertam que essa migração pode gerar um efeito negativo na oferta de crédito pessoal sem garantia. Com juros menores e risco reduzido, o novo modelo pode desestimular a concessão de crédito de maior risco, restringindo opções para consumidores com menor capacidade de comprovação financeira.

A longo prazo, o impacto do novo consignado dependerá do apetite das instituições para absorver o risco da rotatividade dos trabalhadores e da capacidade de ajuste do mercado frente à concorrência crescente.

Fonte: O Globo