Apesar de lançado com a promessa de oferecer taxas menores, o novo consignado privado para trabalhadores com carteira assinada tem apresentado juros acima do previsto, variando entre 3% e 6% ao mês — acima da média da linha antiga, de 2,9%. A expectativa inicial do governo era de taxas próximas a 3,7%, inferiores às do crédito pessoal, mas a forte demanda e o perfil de risco mais amplo dos trabalhadores têm puxado os valores para cima.
Em pouco mais de duas semanas, já foram concedidos mais de R$ 3 bilhões em empréstimos, totalizando cerca de 500 mil contratos. O governo, que inicialmente promoveu a linha como um avanço no acesso ao crédito, agora mudou o tom e passou a recomendar cautela, destacando a importância da comparação das taxas e do uso do crédito para quitar dívidas mais caras.
A entrada inicial de fintechs e financeiras — que operam com públicos mais arriscados — também colaborou para as taxas mais altas. A expectativa é que, com a entrada dos grandes bancos a partir de 25 de abril e com a implementação de novas etapas do programa, como a portabilidade e o uso do FGTS como garantia, os juros comecem a cair. A Febraban considera legítima a preocupação do governo, mas acredita que a concorrência e o amadurecimento da operação vão levar à queda gradual das taxas.
Fonte: Valor Econômico

