O novo crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada, lançado em março, já concedeu R$ 22,5 bilhões em empréstimos a 3,2 milhões de pessoas. No entanto, o setor financeiro tem enfrentado um índice de inadimplência acima do esperado: de 10% a 15% dos contratos não tiveram a primeira parcela paga, segundo a ABBC. Isso tem pressionado os juros da modalidade, que subiram de 40,9% ao ano (fev) para 59,1% (abril), recuando levemente até junho (56,3%).
O calote elevado tem sido atribuído a falhas operacionais na integração entre o sistema do governo e as empresas empregadoras, especialmente na etapa de escrituração e pagamento das guias. A Dataprev trabalha em ajustes para normalizar os repasses e melhorar o fluxo de informações. Apesar dos atrasos, a inadimplência oficial do Banco Central (para atrasos acima de 90 dias) caiu de 7,7% para 6,4% entre fevereiro e junho — números que ainda não refletem os dados iniciais da nova modalidade.
A portabilidade de dívidas, que deveria aumentar a competitividade e reduzir os juros, ainda está travada. Em junho, apenas 428 operações entre bancos diferentes foram concluídas. Já as trocas dentro do mesmo banco avançaram, com mais de 6,5 mil contratos migrados. A expectativa é de que as mudanças operacionais previstas para agosto destravem o processo e aumentem a adesão.
Tanto o setor bancário quanto representantes do governo defendem que a nova linha não tenha um teto de juros. A avaliação é que limitar as taxas afastaria trabalhadores de menor renda e com maior risco de crédito — justamente o público que passou a ter acesso ao consignado com essa reformulação. Segundo a Febraban, impor um teto poderia inviabilizar o produto para os mais vulneráveis, que voltariam a depender de linhas com juros ainda mais altos.
Fonte: O Globo Online

