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Fim da escala 6×1 e mudanças no MEI: quais os impactos para os correspondentes bancários?

Alterações na legislação trabalhista e nas regras para microempreendedores trazem novos desafios para a gestão, a competitividade e a sustentabilidade das empresas do setor.

As recentes movimentações no Congresso Nacional, relacionadas à redução da jornada de trabalho e às alterações nas regras do Microempreendedor Individual (MEI), merecem atenção das empresas correspondentes bancárias, especialmente das micro e pequenas empresas que integram o setor.

Embora tratem de questões distintas, as medidas podem produzir reflexos sobre a estrutura operacional, os custos, a gestão de pessoas e a competitividade dos negócios.

Nesse cenário, a ANEC acompanha os desdobramentos legislativos e está atenta aos possíveis impactos das mudanças sobre as operações dos correspondentes bancários, considerando as particularidades do segmento e a importância de sua atuação na oferta de produtos e serviços financeiros à população.

Redução da jornada de trabalho: possíveis impactos operacionais

A Emenda Constitucional nº 141/2026, promulgada em 16 de outubro, estabelece a redução gradual da jornada máxima semanal de trabalho, sem redução salarial, além da garantia de dois dias de repouso semanal remunerado.

A implementação está prevista para começar em 15 de dezembro de 2026, com redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais, chegando a 40 horas em dezembro de 2027.

A medida busca ampliar o tempo de descanso e proporcionar melhores condições de trabalho. Entretanto, sua implementação também exigirá adaptações na organização das empresas.

No segmento de correspondentes bancários, especialmente entre aqueles que possuem equipes contratadas pelo regime CLT, a redução da jornada poderá demandar a reorganização das escalas, a revisão de processos e, dependendo da estrutura operacional, a necessidade de novas contratações para manutenção da capacidade de atendimento.

Os impactos poderão ser mais significativos para empresas de menor porte, que geralmente operam com equipes enxutas e possuem menor capacidade de absorção de custos adicionais.

Outro aspecto relevante é o modelo de remuneração dos correspondentes bancários, cujas receitas estão frequentemente vinculadas à produção e à efetivação das operações de crédito.

Dessa forma, eventuais aumentos nos custos de pessoal poderão pressionar as margens operacionais, especialmente quando não houver crescimento proporcional das receitas.

O desafio estará em conciliar a valorização dos profissionais, a eficiência dos processos e a sustentabilidade econômica das operações.

Mudanças no MEI: efeitos distintos para o segmento

Outra pauta relevante é o Projeto de Lei Complementar nº 186/2026, aprovado pelo Congresso Nacional e encaminhado à sanção presidencial.

A proposta prevê a ampliação progressiva do limite anual de faturamento do MEI, passando de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028, além da possibilidade de contratação de até dois empregados.

As alterações poderão favorecer o crescimento e a formalização de pequenos empreendimentos, ampliando sua capacidade de organização e contratação.

Entretanto, para o segmento de correspondentes bancários, é importante observar que os efeitos da medida não serão necessariamente diretos ou uniformes.

As empresas que atuam no setor possuem diferentes estruturas jurídicas e regimes tributários, e o enquadramento como MEI depende das atividades permitidas pela legislação, além da observância das exigências regulatórias aplicáveis à prestação de serviços de correspondente bancário.

Assim, a ampliação dos limites do MEI não significa, automaticamente, que todas as empresas do segmento poderão usufruir das novas condições.

A discussão também chama a atenção para a necessidade de acompanhar as políticas de incentivo e simplificação voltadas aos pequenos negócios, incluindo aquelas relacionadas ao Simples Nacional, regime utilizado por parte das empresas do setor.

Competitividade e sustentabilidade das operações

As mudanças legislativas ocorrem em um ambiente no qual os correspondentes bancários já precisam administrar desafios relacionados à transformação digital, à concorrência, à adequação regulatória e aos investimentos necessários para garantir eficiência e segurança nas operações.

Nesse contexto, alterações que influenciem os custos de pessoal e as condições de funcionamento das empresas devem ser analisadas considerando as características do setor.

Entre os aspectos que merecem acompanhamento estão:

  • Custos operacionais: possíveis reflexos da redução da jornada sobre as despesas com pessoal e a necessidade de reorganização das equipes.
  • Produtividade: adequação dos processos comerciais e administrativos para preservar a eficiência e a qualidade do atendimento.
  • Rentabilidade: possíveis efeitos sobre as margens das operações, considerando os modelos de remuneração praticados pelas instituições financeiras contratantes.
  • Competitividade: capacidade de adaptação das empresas de diferentes portes, especialmente das micro e pequenas operações.
  • Segurança jurídica: clareza das regras de implementação e das condições aplicáveis aos diferentes modelos empresariais.

Os efeitos concretos dependerão do porte das empresas, da composição de suas equipes, do regime tributário e das características de suas operações.

ANEC acompanha os desdobramentos e os possíveis reflexos para o setor

Diante desse cenário, a ANEC acompanha as mudanças legislativas e seus possíveis desdobramentos para o mercado de correspondentes bancários, com atenção especial aos impactos sobre a gestão, a competitividade e a sustentabilidade econômica das empresas.

A entidade reconhece a importância das discussões voltadas à valorização do trabalho, à formalização e ao fortalecimento dos pequenos negócios, ao mesmo tempo em que considera fundamental compreender os desafios de adaptação enfrentados pelas empresas do setor.

Para a ANEC, o acompanhamento dessas transformações deve considerar as diferentes realidades operacionais e a importância dos correspondentes bancários na ampliação do acesso da população aos serviços financeiros.

O equilíbrio entre desenvolvimento econômico, valorização dos profissionais, eficiência operacional e sustentabilidade dos negócios é essencial para a continuidade e o fortalecimento do setor.

A ANEC permanece atenta à evolução dessas pautas e aos seus possíveis reflexos para as empresas correspondentes bancárias, reafirmando seu compromisso com a informação qualificada e o acompanhamento dos temas de interesse de seus associados.