Fila invisível e fraudes expõem crise no INSS

O escândalo das fraudes bilionárias em descontos indevidos a aposentados do INSS expôs outro problema grave: a “fila invisível” de 2,4 milhões de pedidos de benefícios pendentes até junho. Apesar de ter caído em relação a março, o número ainda é 80% maior que o de junho de 2024. Muitos segurados aguardam há anos por respostas, mesmo em casos simples, e advogados afirmam que a demora é inconstitucional, ilegal e passível de ação judicial contra a União.

Especialistas criticam a digitalização que retirou as filas das agências, mas criou um gargalo virtual, sem transparência sobre a posição do solicitante. Eles apontam que a lentidão beneficia o governo ao adiar pagamentos e ajudar no cumprimento da meta fiscal, já que a Previdência é responsável por grande parte do déficit público. Paralelamente, o INSS começou a devolver R$ 1,084 bilhão a 1,6 milhão de beneficiários que sofreram descontos não autorizados, parte de um rombo estimado em até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

Para resolver o represamento, especialistas defendem fortalecer o Cadastro Nacional de Informações Sociais, ampliar investimentos na Dataprev e melhorar o atendimento, especialmente para quem tem baixa inclusão digital. Também recomendam rever o modelo de perícia médica e aumentar a cooperação com órgãos como OAB e serviços estaduais de atendimento. No Congresso, a instalação de uma CPMI deve investigar não só as fraudes, mas também as falhas estruturais do INSS.

Fonte: Correio Braziliense Online