Consignado privado ultrapassa R$ 117 bilhões e avança com desafios operacionais

O volume de crédito consignado privado já soma R$ 117,1 bilhões, sendo R$ 76 bilhões liberados desde a criação do programa Crédito do Trabalhador, em março de 2025, segundo dados do Banco Central e do Ministério do Trabalho e Emprego. O crescimento expressivo confirma a adesão de trabalhadores e o interesse das instituições financeiras, mas o modelo ainda enfrenta desafios importantes.

Um dos principais pontos em discussão é o uso do FGTS como garantia das operações, medida que pode reduzir juros e impulsionar ainda mais o mercado. A proposta em análise prevê que o trabalhador escolha oferecer até 10% do saldo do FGTS e 40% da multa rescisória, mas essa opção deve ficar restrita às contratações feitas pela carteira de trabalho digital, estratégia do governo para estimular a concorrência entre bancos em um ambiente mais transparente.

Atualmente, as taxas médias do consignado privado giram em torno de 57,4% ao ano — abaixo do crédito livre, mas ainda bem acima das praticadas no consignado do INSS, que possuem teto regulado. A ausência de garantias mais robustas ainda dificulta a precificação do risco pelas instituições.

Mesmo com esses entraves, o programa já alcançou 9,4 milhões de trabalhadores, com mais de 20,9 milhões de contratos firmados e valor médio de R$ 12,3 mil por operação.

A expectativa do mercado é que, com a definição das garantias, o consignado privado possa dobrar de volume e alcançar cerca de R$ 200 bilhões, consolidando-se como uma das principais modalidades de crédito no país.

Fonte: UOL Economia

👉🏻 Em função das restrições nas contratações via carteira de trabalho digital, especialmente com as novas regras de garantia envolvendo o FGTS, a ANEC já encaminhou ofício ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho, manifestando preocupação com os impactos operacionais do modelo. A entidade defende ajustes que garantam maior equilíbrio no acesso ao crédito e preservem a atuação dos correspondentes bancários.