A nova fase dos correspondentes bancários: de intermediários a protagonistas do crédito

Os correspondentes bancários, por muitos anos responsáveis por levar serviços financeiros a regiões pouco assistidas, vivem agora uma transformação profunda. Antes vistos apenas como intermediários que recebiam comissões, esses profissionais e empresas têm assumido um papel maior no mercado de crédito, impulsionados pela expansão do consignado e pelo interesse crescente de FIDCs em operações de baixo risco. O número de corbans saltou de 228 mil em 2022 para mais de 500 mil atualmente, refletindo essa mudança de protagonismo.

Com a possibilidade de criar seus próprios produtos via FIDCs, muitos correspondentes passaram a atuar como fintechs, participando dos riscos e dos juros das operações. Isso exige governança, capacidade de originação e volume mensal consistente, mas abre espaço para ganhos maiores e mais autonomia. A relação direta com o cliente — especialmente aposentados, servidores e trabalhadores menos digitalizados — também se mantém essencial em produtos populares como o consignado e o saque do FGTS, reforçada pela capilaridade que os bancos já não conseguem sustentar.

A regulamentação dos últimos anos, como a criação das SCDs, o Pix e o Open Finance, criou terreno fértil para que esses players deixassem de depender dos bancos e evoluíssem para modelos mais especializados. Hoje, muitos corbans nascem focados em nichos específicos, o que permite oferecer crédito mais adequado e competitivo.

Com a expansão de modalidades como o Crédito do Trabalhador e o avanço das soluções de embedded finance, os correspondentes bancários consolidam sua transição para um papel central no ecossistema financeiro, deixando de ser apenas a “loja do banco” para se tornar verdadeiros protagonistas na oferta de crédito no país.

Fonte: Finsiders Brasil