Crédito consignado do trabalhador fica abaixo do esperado e segue sem garantia do FGTS

Lançado em março de 2025 como aposta do governo para ampliar e baratear o crédito ao trabalhador com carteira assinada, o consignado privado movimentou R$ 52 bilhões até agora, bem abaixo da expectativa inicial de R$ 100 bilhões em três meses. Um dos principais entraves é a falta de regulamentação do uso do FGTS como garantia, prometida para junho de 2025 e agora adiada para junho de 2026. Sem essa garantia, os juros permanecem elevados — em média 3,83% ao mês, podendo ultrapassar 7% — e o desconto em folha é interrompido em caso de demissão, transferindo ao trabalhador a responsabilidade direta pelo pagamento. Especialistas e entidades empresariais apontam que o modelo atual pode gerar distorções no mercado de trabalho e defendem a regulamentação urgente do FGTS e a adoção de limites para as taxas de juros, enquanto o governo afirma monitorar o sistema, sem até o momento impor teto ou descredenciar instituições.

Fonte: G1

Para a ANEC, o crédito consignado ao trabalhador com carteira assinada é um produto importante como alternativa complementar de acesso ao crédito, porém, na forma atual, não se mostra atrativo nem para as instituições financeiras, nem para os trabalhadores, principalmente pela ausência da garantia do FGTS, prometida desde o lançamento. Essa insegurança eleva o risco das operações, restringe a oferta de crédito e pressiona as taxas de juros, tornando a modalidade menos vantajosa do que opções como a antecipação do saque-aniversário, que oferece maior previsibilidade e melhores condições. A ANEC acompanha de perto a ADPF e o despacho da ministra Cármen Lúcia no Supremo Tribunal Federal e reforça que o uso do FGTS é essencial para reduzir riscos, baratear o crédito e viabilizar um ambiente mais equilibrado e sustentável.